sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Nunca entenderão!

      Nunca entenderão as pessoas pelo o que passo, pelo menos até essas mesmas pessoas (e isso não é um desejo), passaram pelo mesmo sofrimento. Lembro que na véspera do ano novo estava super animado, pois iamos romper o ano na igreja e depois seguir para casa de uma família da igreja, onde ali estaria também outras familias. Estava animado pois o fato já se repetira no natal. Pois se for falar de mim mesmo, antes de conhecer a Cristo. Eu não gostava dessas datas, vicava recluso em casa e até me deitava cedo para não felicitar os poucos vizinhos que iam em casa. Era um tanto chateado, por que na verdade até final da década de 90 eramos apenas eu e minha mãe nossa parentela mora no interior do Estado e nunca passaram o natal conosco, diga-se de passagem que são meia-irmãs de minha mãe. Parente direto apenas seu tio-avô beirando os 100 anos que devido a já citada idade tem evidentemente dificuldades para vim se juntar a nós e por escolhar prefere ficar por lá mesmo.
      Passado mais de uma década hoje são mais pessoas em casa, minha esposa e filha. E essas datas foram diferente para mim, pois estaria saindo com minha mãe, uma coisa rara de se ver, ela não gosta de sair para canto algum, sempre dizendo que está cansada dos afazeres domésticos e tudo mais. Mas dessa vez ela já tinha ido no natal nesta mesma casa e agora passaria o reveillon novamente. O psiquiatra o qual me trato desde de julho de 2009. Diz que não posso passar por emoções, tantas as boas quantas as ruins, posso desencadear alguma crise. Talvez seja pela ansiedade e euforia toda.
       Já passavam das vinte de duas horas quando eu sai da minah casa para a casa de minha mãe, uma distancia menor que cinco metros. E foi despejado um balde de água fria em mim, todo aquele sentimento de alegria e expectativa do que iria acontecer foi embora. Apenas um sentimento de tristeza, mais pura tristeza e falta de vontade de sair tomaram conta de mim. Sentei-me no sofá já na casa de minha mãe e a vontade incontrolável de dizer-lhe que não queria mais sair, queria ficar apenas assistindo tv, minha mãe certamente aceitaria de primeira, mas como explicar para minha esposa e principalmente para minha filha. Que gosta de ir a igreja. Precisei lutar com quem eu chamo de o outro "Eu" ou "Maquiavélico", pois ele trama o mal para mim. Quanto mais lutava mais afundava no sofá da sala. Já chegava as vinte e tres horas, sabia que não iria custar para perguntar se não iriamos mais. E comecei a pontuar os acontecimentos positivos de nossa ida, além disso passava algo engraçado na tv, não lembro bem o que era, mas me proporcionou bons risos e despedi do "Maquiavélico" e fui, fazendo o que já estava programado e foi muito bom. Já estava esquecendo estava tb conosco uma outra garota da idade de minha filha, que trouxemos do interior para passar as férias escolares.
      O que me deixa bastante perturbado é essa mudança de humor o que já questionei com o meu médico se não seria um Transtorno Bipolar, no entanto, o médico negou e fechou diagnóstico como Transtorno Psicótico Agudo Transitório, para quem não sabe o que é transcrevo o que foi dito do site: http://www.psicosite.com.br
       "O que é? É uma psicose de início repentino e duração curta (um mês) em que o paciente fica incapacitado de realizar suas funções sociais e profissionais. Como se trata de um quadro psicótico, na maioria das vezes o paciente nega estar doente; pode até admitir que algo não vai bem, que tem algum problema, mas de forma alguma admite que o problema é mental. Muitos desses surtos são acompanhados de eventos estressantes, fortes como perda de pessoa querida, do emprego, mudança de cidade ou ambiente social, forte ferimento físico, acidente com seqüelas; e ainda, eventos positivos como o nascimento de um filho ou o casamento. O período que se observa em média entre a ocorrência do evento e o início da psicose é de duas semanas, a completa recuperação pode levar de dois a três meses, sendo que a fase pior dura menos de um mês. O tempo mínimo de duração desse transtorno é 48h: abaixo disso o diagnóstico é outro.

Como se caracteriza: O comportamento torna-se desorganizado, não acaba o que começa e o que faz muitas vezes não tem sentido. Veste-se inadequadamente, não atende aos apelos dos familiares, recusa-se em colaborar com o que é preciso. O sono, como em todos os transtornos psicóticos fica diminuído. O senso de perigo pode ser perdido, deixando o fogo da cozinha aceso, a porta da rua aberta, permitindo que crianças brinquem com facas afiadas, etc. Alguns pacientes tornam-se repetitivos nos gestos ou nas palavras. Surgem personagens inexistentes das fantasias delirantes ou das alucinações auditivas, com que o paciente se relaciona. Às vezes rituais com cunho religioso são entoados ou criados pelos pacientes. Diversas outras manifestações podem surgir, os quadros psicóticos costumam ser muito variados, só algumas foram citadas aqui".
     Também gostei do site www.consultormedico.com que assim define:
"Definição: Início súbito de sintoma psicótico durante um dia a um mês, com retorno do funcionamento normal do indivíduo.
Etiologia: O transtorno pode estar associado a um es­tresse agudo (os acontecimentos geralmente geradores de estresse precedem de uma a duas semanas o aparecimento do transtorno). Fa­tores genéticos também influenciam no seu aparecimento.
 Clínica: A característica essencial do transtorno psicótico breve é uma perturbação que envolve o início súbito de pelo menos um dos seguintes sintomas psicóticos positivos: delírios, alucinações, discurso desorganizado (por ex., descarrilamento ou incoerência frequentes) ou com­portamento amplamente desorganizado ou catatônico. Um episódio da perturbação dura no mínimo um dia, mas menos de um mês, e o indivíduo acaba tendo um pleno retorno ao nível pré-mórbido de funcionamento".
    Estou lendo um artigo deste mesmo transtorno na adolescência. Esses conceitos se enquadram perfeitamente na minha pessoa, pois já passei por periodos onde escutava pessoas me chamando, tenho ainda o que chamo de "visões", projeta-se em minha mente acontecimentos como se fosse premonições ou coisas totalemente desconexas, sem sentido, fora da realidade. Muitas vezes um medo repentino, uma raiva repentina, um ódio repentino, dentre outros tantos sentimentos quero desta vez me deter a este último. Há tres semanas atrás fiquei com uma aversão a minha esposa, não conseguia esta presente no mesmo ambiente que ela, não conseguia encará-la, sua voz me irritava, num sábado pela manhã estava eu na cozinha e ela varrendo a casa começando pela sala. De repente veio sobre mim, ou seja, produziu na minha mente uma imagem, ela vindo a mim (é de certo que haviamos discutido dias antes mais todo aquele ódio não era para tanto), continuando a imagem sugeria de que ela se aproximava de mim e eu subitamente atacava primeiro com a mão direita e depois com a esquerda seu pescoço, levantando assim seu corpo do chão e a escorando na parede, eu via ela sufocando, mudando de cor, engasgando até seus olhos fecharem e eu a soltar. Minutos depois vejo a cena na real, ela se aproximando de mim e a única coisa que falo é: "É melhor se afastar de mim é melhor para ti!". Eu nunca escutei uma voz que diga "MATA", como vemos nos noticiários, onde os psicopatas alegam. No entanto, fico pensando se essas imagens que se projetam em minha mente não seria a tal voz camuflada, também já pensei querendo puxa a "sardinha para minha brasa", quem sabe não seria Deus dando-me a chance de escapar antes que realmente aconteça aquilo que estou vendo. Nesse dia exatamente não tinha como sair pois chovia muito forte pela manhã estamos no período do inverno aqui no norte.
       Por que chego a essas conclusões, pois anos atrás crio que em 2007 tive uma dessas visões de um acidente com minha filha, que em outra oportunidade contarei com detalhes. E chegando em casa o que vi ali naquela visão aconteceu na integra. Todavia, por que em diversas vezes são coisas totalmente sem sentido?! Me sinto as vezes perdido, o mundo evangélico as pessoas gostam de resumir tudo em Deus ou no diabo (parece até que também estou fazendo isto), mais também entendo que pode ser algo da própria mente, pois é sabido que a desconheçemos em sua totalidade. O que também me deixa bastante chateado é não poder compartilhar todos esses sentimentos sem as pessoas me rotularem de alguma coisa, sobretudo, LOUCO.
      Quando disseram que era um tratamento longo custei acreditar, e lá se vão quase tres anos. Mais estou conseguindo detectar quando vou entrar em crise, começo a ficar reclamão, insatisfeito com tudo, qualquer coisa me aborrece e fico chateado. Começo a reclamar como as coisas estão sendo conduzidas e culpo quem está a frente do processo. Depois disso é muita paciência, pois fico agressivo nas palavras e intolerante, prefiro me ausentar de tudo e de todos por uma questão natural e até mesmo de preservação das "amizades". Sem vontde de sair, de conversar, de falar, sinto as vezes em sua grande maioria a mente cansada, os olhos pesados e uma vontade imensa de me deitar, até a respiração fica com dificuldades as vezes. E o sentimento mais ruim uma agonia, perturbação, não consigo raciocinar, uma angustia, uma confusão bem na parte do meio da minha cabeça, melhor dizendo uma dormência.
       Não gosto de formar textos longos pois acaba se tornando cansativos, por tanto, vou terminando por aqui. Apenas para deixar registrado que fui ao médico no começo do mês e ele novamente mudou meu medicamento, vamos aguardar se terei melhoras, pois passo duas semanas no céu (sem reclamar de ninguém deixando cada um viver a sua vida e nem reclamando de mim mesmo e duas semanas no inferno).