domingo, 11 de março de 2012

Será que o Geraldo de antes, existirá?!

     As vezes me sinto muito sózinho, além do fato de ficar a maior parte do tempo sózinho em casa, mesmo morando ao lado da casa de minha mãe. Sózinho por que não posso contar o que sinto, contar posso, mas as pessoas não compreendem. Uns dizem que não posso desistir, que tenho que ter força. Mas de onde vem essa força?! Nos ultimos dois meses tenho me entregado a acaso, não luto mais, a última vez que fui a igreja foi no último domingo de janeiro. Não tenho mais aqueles horários especificos de oração. Na verdade eu não sinto mais vontade de ir a igreja, nem de orar, converso as vezes com Deus, rara as vezes.
     As pessoas falam de vida transformada, isso não aconteceu comigo. Houve um melhoramento, mas não houve transformação. Desde pequeno sempre fui a criança nervosa, descontrolada, chamado de hiperativo! Crescendo aos 12 anos já tinha ideias suicidas. Chegava as vezes nos conflitos com minha mãe desejar sua morte, quando não misturava alguns comprimidos afim de acontecesse alguma coisa comigo. Não gostava de estudar, apanhava algumas vezes e feio, de galho de goiabeira como doia aquilo. Talvez por isso hoje não bato na minha filha raramente.
    Na rua onde moro sempre fui ridicularizado por colegas e por vizinhos. Chamado de "mamãezado" ou coisa do tipo. Estudei a maior parte da minha vida num colégio particular, um colégio de freiras. Até o ano de 1992 fui uma pessoa apagada, discreto, com alguns repentes de explosão. Os colégios particulares geralmente nos dão uma ideia errada do mundo, nos criam num mundo fechado. Passei um ano fora, numa Escola Técnica e vi como a vida era, muito diferente do que vivia no meu mundo do colégio e de casa também. Quando voltei em 1994 para as freiras, as coisas nunca mais foram as mesmas, palavras ditas por elas também. Rebelde, respondão, aprontando muitas.
     O começo de 95, cheguei a frequentar uma igreja evangélica, mas acho que era mais por empolgação, não fiquei nem tres meses. Mas tudo isso tratarei em "Minha História". O que quero dizer que sempre fui explosivo, agressivo, descontrolado, falar coisas, gritar, lembro bem de que quando não tinha mais como expressar toda raiva, ódio, quebrava as coisas, jogando-as na parede, chão, virando a mesa, isso eu lembro.
        Conheci a pessoa que hoje é minha esposa em 1999, tivemos uma paquera rápida no mesmo ano. Mas firmamos o namoro no final de 2000, no final de 2001, veio morar em casa, já que ela morava quase 100 km da minha casa, durante o namoro demonstrei o meu carater. Não posso falar das coisas terriveis que fiz contra minha esposa, pois não tenho sua permissão para tal, afinal isso atingirá diretamente sua pessoa. Só posso dizer que sinto repulsa. Em 2002, após convites de um amigo, na verdade o único amigo que hj mora distante congregrei numa igreja. Nos três primeiros anos foram bons, sentia as pessoas preocupadas uma com as outras, algo bem próximo, familiar. Como disse meu temperamento melhorou, porque acreditava que o Espírito de Deus tomava conta da minha vida, era regida por Ele. Minha filha nasceu no final de 2003. Eu desempregado, minha esposa cursando o ensino médio, havia também em 2000, cursado a Escola Técnica Federal, mas abandonei.
          Hoje entendo perfeitamente por que em 1993 abandonei o curso de eletrônica na Escola Técnica Estadual do Pará, por que em 1995 abendonei a Igreja da Paz com três meses. Entendo por que quando começava um relacionamento e sentia que caminhava para algo mais sério abandonava a pessoa assim fiz por duas vezes em 1997. Abandonei a escrita de um livro em 1998, mesmo ouvindo de algumas pessoas que leram as primeiras 50 paginas e acharam muito bom. Abandonando o cursinho do mesmo ano e nem indo prestar o vestibular. Como disse em 2000 e 2001 não concluí o curso de Mineração na Escola Técnica Federal do Pará (hoje IFPA). Em 2002 após seis meses de trabalho (meu primeiro emprego num supermercado), fiz com que o gerente me despedisse (na verdade eu respondi de "atravessado" para ele).
              Sofri muita pressão por parte de minha mãe, sempre ela me comparava aos meus colegas que já se encontravam formados e até trabalhando. Não me deu apoio moral quando cursei em 2000 mineração. Nunca aprovou e até hoje não engole muito minha esposa. Todas essas coisas pesaram sobre mim. Interessante quando me convertir ela não se intrometeu, nas visitas dos "irmãos" ela sempre recebeu bem e adquiriu amizades com muitos.
                 Em 2005, consegui um emprego, numa das melhores empresas do Estado e paralelo a isso, comecei a cursar uma Universidade aos finais de semana (História). Em meados de 2008, fui afastado do trabalho por causa de uma hérnia discal, voltando em 2009. Nesse período quase abandono a universidade alguns colegas me ajudaram bastante. Mas em meados de 2009, fui afastado novamente por problemas como alguns já sabem psicológicos (depressão e querendo me suicidar).
                Já neste momento para mim a igreja já não era refúgio, venderam para mim gato por lebre. As pessoas só estão preocupadas com elas mesmas. E fazem de tudo para se manterem fechadas, guardadas em seu próprio micro-mundo. Salve algumas excessões, pouquissimas pessoas, ainda que te visitam, ligam, mandam mensagens, palavras de conforto, de força, apoio, que oram contigo, um abraço gostoso e verdadeiro. Sofri algumas perseguições na universidade, mas o que balançou minha fé foram algumas teorias, pensamentos, indagações. A própria cultura evangélica também para mim é questionável, "não pode isso, não pode aquilo" e sem um embassamento bíblico e até falta de raciocinio lógico. Não digo isso tomando exemplo apenas onde congrego, mas o que é veículado na mídia, na internet, tv e etc... Nos bate papos pelo Brasil, pelos colegas que são de outras denominações. Muitos são os escandalos, as trocas de favores, a preocupação em agradar os lideres e não a Deus. A espiritualização de tudo, a santidade elevada, os egos inflamados, complexos de superioridades e por ai vai. Alguns dizem que é preciso ter uma Nova Reforma Protestante. Cheguei por momentos querer largar a fé, antes disso visitei e fui há alguns congressos, encontros e aí pude constatar o que haviam me dito e mais um pouco.
                  As pessoas falam de coisas que não entendem, dizem que um servo de Deus não passa por necessidades. Como estão enganadas, principalmente as materiais e o pior os "irmãos", estão lá indo todos os dias para igreja com seus afazeres, reuniõeszinhas e na prática pouca ou nenhuma coisa. Criticam a maior parte do tempo as outras denominações para poderem fortalecer a sua. Falam de idolatria na igreja Católica Romana e idolatram seu pastor local, pastores e pregadores midiáticos ou irmãos cheios da unção e revelações. Não tem uma preocupação com os visitantes, muito menos com os que se convertem, aos enfermos são raro as visitas. No entanto, estão indo todos os dias como dissessem: "estou fazendo a minha parte!" Garantindo assim um pedacinho no céu. Os pregadores por sua vez não tem preocupação no carater e espirito das pessoas, preocupam-se em encher igrejas, em construções ou mega-construções e congressos que começam mais não tem fim, não um fim cronológico, mas não se chega conclusão alguma, as pessoas houvem, mas daqui a três meses esvaziam-se novamente.
                Contudo, não estou fazendo apologia as pessoas não irem mais as igrejas, por que existem aquelas que os lideres com seus defeitos, ainda pregam somente a Bíblia e não de forma destorcida. E entendo que numa igreja de 800 membros de fato os que querem fazer o IDE DE JESUS, não chega nem a 10% dessa membresia, mas é neste 10% que devemos nos achegar. Aprendendo com os erros dos outros que devemos repetir a nós mesmos a seguinte frase: "Assim que não devo ser!" e com os nossos erros devermos repetir: "Não devo ser mais assim!"
                 Todas as vezes que me desanimei, decepcionei, me frustrei, não tive uma apoio pessoal, mas espiritual. Depois de longos 2 anos desde q fui acometido com está doença, por diversas vezes entrei em crise, fiquei agressivo, não querendo conversar com ninguém, com medo, pavor, nervoso, com sentimentos ruins. Obtive por diversas vezes o silêncio de Deus. Em outras suas respostas. Não acredito na igreja como coletividade, acredito em sua individualidade. Naqueles que entende o que quer dizer o evangelho, sua pratica, sua ação. Sabe por que no começo da conversa disse que entendo por que diversas vezes abandonei várias coisas?! Por que ouço uma voz interior, uma voz destrutiva, negativa, voz que já mandou matar e/ou suicidar. Voz está que coloca desconfiança em meu coração, insegurança, medo. Como disse em outros textos, o chamo de maquiavélico, só maquina o mal, pelo prazer de vê o outro sofrer. Não escolhe cor, raça, religião, sexo, apenas quer ve o outro sofrer. Está semana algo aconteceu, mesmo depois de entregar os pontos, algo aconteceu. A tia da minha esposa veio a uma consulta médica, ela mora no interior do Estado, nós a hospedamos. Ela foi humilhada pelo médico do SUS (novidade). E a amparei de todos os modos, no outro dia fui na minha antiga unidade e consegui uma consulta com especialidade que ela precisava, foi muito bem tratada. As pessoas que me viram me abraçaram, me cumprimentaram. Aquela mulher chorou e disse: "Jeová te colocou na minha frente juntamente com aquele médico e não tenho palavras para agradecer". Essa ação minha que foi automática, mas a recepção que minhas antigas colegas me deram. Fizeram sentir que ainda tem um Geraldo, que já não sentia mais, que para mim já não existia, um Geraldo de três anos atrás. Eu ainda acho que ele pode existir.