sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Uma velha amiga

Poucas vezes ela bate a porta, a gente não vê chegar, mais sentimos aquela presença por trás dela, ao olharmos pela janela ela se esconde por trás das árvores. Pode fazer verão ou inverno, ela faz campana, espera o momento certo para bater. Na verdade não existe momento certo.
A gente sabe que ela sempre estará lá e da mesma forma ela sabe que nós sabemos que ela está lá. E isso gera aflição, rondando a casa ela sente o cheiro do desinteresse pelas coisas, as plantas começam a murchar, o som da casa diminui, não se ouve barulho de chuveiro nem de Tv ligada.
Na espreita, ela vê aquela casa ficando numa tonalidade só, começando pelo cinza, depois para o negro. Numa manhã chuvosa as coisas se potencializam. Ela cumprimenta a outra e quem está fora diz: “deixa eu entrar?!”. E quem está dentro volta para a cama atordoada, mais sem antes não deixar escapar da visão da outra suas lagrimas.
Não é uma casa de uma pessoa só, é uma casa de uma família inteira, mais é de uma pessoa só. Para quem é recorrente sabe que se permitir a entrada e estadia ali pode ser o fim de tudo. Para quem é a primeira vez é angustiante, mal compreende o que está acontecendo e nem sabe ao certo o que sente. É um misto de tudo raiva, frustração, ódio, agonia, desespero e dor. Não necessariamente nesta ordem.
Dia, noite, madrugada, tudo é a mesma coisa, a fortaleza é o quarto, não existem razões, motivos, a cachorrinha abana o rabo, o gato quer afago, mas o corpo já esta inerte.

Então um dia ela bate a porta, para o recorrente ela diz: “Oi como vai?!” para o iniciante diz: “Prazer meu nome é depressão!”